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Empreendedor 19/09/2005

A grande satisfação de Germano Leite é nunca ter perdido uma edição nos 30 anos de Jornal Agora


Aos 74 anos o empreendedor ainda se entusiasma cada vez que o jornal é impresso

Com um mercado nas mãos e mil projetos na cabeça

“Antigamente existia uma fotografia que o pessoal usava muito nas casas, que era um vagabundo sentado num banco de praça, com sapato furado, barbudo, e com o dizer embaixo: só me interessa grandes negócios. Eu me considero aquela figura”. Com essa afirmação, um dos maiores empreendedores rio-grandinos começa seu depoimento para o Perfil do Empreendedor desta semana. Germano Torales Leite, 74 anos de idade, 49 dedicados aos negócios, dá uma aula de como sobreviver às crises e construir uma empresa sólida, baseada na seriedade e fidelidade com os clientes.
Filho de família pobre, pai vendedor e mãe costureira, o dono do maior jornal de Rio Grande foi um jovem sonhador. “Eu dizia para mim mesmo: eu tenho que abrir um negócio, só que não tinha capital”, lembra.
Entretanto, em 1956, ele mudou essa realidade, abrindo uma oficina para consertar pneus de bicicletas. As primeiras semanas do negócio foram bastante sofridas. Até o terceiro dia, nenhum cliente. Mas a oportunidade acabou surgindo. “Eu estava parado na porta, quando um rapaz, que passava de bicicleta do outro lado da rua, parou por causa de um pneu furado. Saímos correndo e o trouxemos para a oficina”, diz.
A firma foi funcionando normalmente, a partir daí, até que, cinco anos depois, um primo de Germano apareceu com outra oportunidade. “Ele trabalhava numa gráfica, que estava falindo por causa de dívidas com fornecedores. Quando vi tudo aquilo funcionando me entusiasmei. Falei com os credores e comprei a gráfica através de um financiamento. A máquina era velha, toda remendada, mesmo assim aquilo me seduziu”, conta.
Os antigos donos continuaram trabalhando no local, como empregados. Além deles haviam outros. Acontece que a gráfica continuou operando no vermelho. “Então criei o Peixeiro, para dar serviço ao pessoal. Eu mesmo vendia os anúncios, depois distribuía o jornal no cinema, gratuitamente. Tivemos a sorte de cair no gosto do público. Isso foi a semente do Agora”, diz.
Em 23 de dezembro de 1962 Germano decide criar o Peixeiro. Mais de uma década depois, motivado pela carência do mercado editorial rio-grandino, ele funda o Jornal Agora. “Ao longo do tempo, fomos melhorando, compramos máquinas novas, e num ímpeto de loucura, de coragem, decidimos transformá-lo em um diário. Não foi fácil. Passamos 16 anos imprimindo em Pelotas e dois em Porto Alegre. Os fotolitos ficavam prontos depois das 6h, e tínhamos que correr na estrada, acenar para o motorista do ônibus parar, para poder enviá-los à gráfica”, lembra.
Germano descreve a trajetória de seus empreendimentos como um caminho de altos e baixos. Considera que somente resistiu com um jornal, porque possuía outros negócios. “Os primeiros oito anos do Agora passaram no vermelho. Isso, porque o público é exigente. Precisa confiar. Precisa saber que ali não existe nenhuma manipulação. Em busca do jornalismo sério, eu já sofri mais de 30 processos na justiça, também já fui preso”, declara.
Hoje, o Jornal Agora gera 50 empregos diretos e muitos outros indiretos. É a menina dos olhos de seu fundador. Mas Germano Leite não se contenta, quer continuar empreendendo. “Não posso dizer que sou um homem realizado, porque sou muito sonhador. Eu tenho mais mil projetos na cabeça, independentes do jornal. Nessa altura da vida, agente não pensa mais em ganhar dinheiro, mas sim em construir algo e deixar para os jovens”, diz. O mais novo negócio em mente é um centro de eventos e comércio em uma área estratégica da cidade. Ele já adquiriu o terreno e tem o projeto praticamente pronto. Se sair ou não do papel, isso é um segredo que somente a vida deverá revelar.

Prisão

Em plena ditadura da década de 70, o espírito empreendor e jornalístico de Germano Leite se confrontam com um flagrante de injustiça e ele mostra de qual metal é feito. A polícia estava à procura de um vereador considerado comunista. Na tentativa fracassada de prender o político, os policiais obrigam dois de seus filhos, ambos com menos de dez anos, a irem até o trabalho do pai com metralhadoras apontadas para suas cabeças. Os dois garotos, assustados, cumpriram o trajeto abraçados e chorando. A cena chocou o proprietário do Peixeiro, que escreveu uma crônica indagando se aquela era mesmo a revolução redentora. “Quando cheguei na redação, no outro dia, um carro da polícia já me esperava. Fui preso, o que considero até uma honraria, diante do fato que presenciei”, conta.

Conselho

“Eu acho que o empreendedor, na realidade, é necessário. Mas acho também que ele é um escravo. É difícil, ele é muitas vezes incompreendido. A maioria cai antes do tempo. Hoje, um empreendimento de dois anos já é uma vitória”, conclui.



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