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Empreendedor 26/07/2004

CARISMA: simpático, Bagé mantém amizade com toda a clientela

Convivendo com as dificuldades econômicas

Uma paixão por acaso: assim começou a já duradoura ligação de Marco Aurélio Touguinha de Almeida com o empreendedorismo. Afinal, são quase duas décadas dedicadas à gastronomia de Rio Grande, que resultaram em uma clientela ampla e fiel aos serviços de qualidade de sua Galeteria Fornalha. A casa já é um dos principais nomes do gênero na Zona Sul do Estado.
Almeida, ou Bagé, como é mais conhecido, começou a carreira atuando no setor administrativo da Fertisul, empresa então ligada à Refinaria Ipiranga. Cogitado à época para ser transferido à unidade de Porto Alegre, onde desempenharia tarefa semelhante, ele optou por outra alternativa: permanecer em Rio Grande e assumir a administração do Restaurante do Ipiranga Atlético Clube (IAC). “Minha mulher estava grávida e preferimos ficar. Tínhamos de pensar em nosso futuro, e os ganhos seriam basicamente os mesmos”, recorda. Auxiliado pela esposa Maritza e pelo irmão Hique, este já com razoável experiência no ramo gastronômico, o novo empresário reformulou o restaurante e, assim, conseguiu atrair as atenções de boa parte da comunidade para o estabelecimento. “A necessidade te faz aprender ‘na marra’ os macetes da profissão”, ensina. Por dez anos, a equipe comandada por Bagé serviu mensalmente milhares de refeições aos clientes, que também cresciam em progressão geométrica. O grau de satisfação pessoal dos freqüentadores também aumentou, levando o empresário a pensar em novos rumos: além do IAC, Bagé tomou as rédeas dos restaurantes do Yacht Club e da AABB. Os espaços do IAC – local com o qual mais se envolvia – haviam se tornado pequenos para tamanho público, e foi então que ele decidiu largar tudo e concretizar seu projeto mais ambicioso. No verão de 1995, inaugurou, em um espaço no balneário Cassino, a Galeteria Fornalha.
A resposta do público foi imediata. Turistas de todos os lugares passaram a freqüentar a casa, que, desde então, vem colecionando muitos elogios. O sucesso levou Bagé e Maritza a abrirem uma filial no Centro de Rio Grande, há pouco mais de dois anos. Novamente um projeto bem-sucedido. O segredo? Ele afirma que não existe.
“Prezo bastante o atendimento, pois quando as pessoas saem para comer, elas querem se sentir em casa, num ambiente agradável. Nosso principal objetivo é deixar as pessoas contentes com o restaurante, pois costumo dizer que esse negócio é uma simples troca: enquanto oferecemos um bom serviço, o cliente paga por ele e manifesta ou não a vontade de voltar com a família”, afirma. “Estando cercado de bons funcionários, e com a família também sempre por perto, as possibilidades de um negócio dar certo são muito maiores”, complementa, lembrando que os filhos Leonardo e Tatiana sempre auxiliaram-no atrás do balcão.
Engana-se, porém, quem pensa que tudo são louros. A exemplo dos demais setores da economia local, Bagé tem de conviver com a instabilidade econômica que assola o País. Motivada pelo baixo poder aquisitivo da população brasileira, a queda no número de turistas ocasiona uma retração de novos investimentos e eleva ainda mais a alta taxa de mortalidade das empresas do ramo gastronômico. O Brasil e a cidade do Rio Grande, em particular, são locais onde só sobrevivem as empresas mais tradicionais, que possuem clientela fixa, e é este o motivo que leva o empresário a descartar quaisquer chances de abrir filiais em cidades próximas, como ele revela que já vinha sendo estudado. “Temos muitos clientes de cidades vizinhas. Há, por exemplo, uma família de Pelotas que se desloca até o Cassino apenas para almoçar conosco. Esta é a minha grande alegria”, comemora.



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