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90 anos do Porto de Rio Grande 14/11/2005



Ex-diretor conta como o Porto se tornou moderno e competitivo

Grande parte dos 90 anos de existência do Porto de Rio Grande ainda permanece viva na memória do engenheiro Ivo Pereira Braga, que trabalhou no local durante mais de 30 anos. Conforme ele mesmo coloca, não se trata de datas ou fatos sistematizados em ordem de importância, mas sim de momentos bons e ruins vividos em volta do cais. O homem que gerenciou a modernização do Porto Novo conta aos leitores do Bom Dia quais as mudanças que ocorreram nos 35 anos em que trabalhou no local.

História para ser lembrada
Ivo Braga iniciou como engenheiro civil na Secretaria de Obras do Porto e Barra no ano de 1948. Naquela época, o Estado recém havia feito a encampação do Porto e aquele departamento era responsável pela manutenção da área portuária. “Nosso escritório era ligado a Secretaria de Obras Púlicas do Estado e a administração do Porto era ligada à Secretaria Estadual da Fazenda. Eram duas entidades distintas”, diz.
No ano de 1959, na administração do governador Meneguetti, Braga passou a chefe daquela divisão. Permaneceu na chefia até o governo de Leonel Brizola, passando para fiscal de obras, retornando à chefia poucos anos depois.
Com a criação do Deprec, em 1º de outubro de 1961, os setores de Administração e Obras foram unificados e criada a Divisão de Portos e Canais, sob o comando de Braga. “O chefe dessa divisão ficou com todas as atribuições das duas entidades. Ficou com a pedreira de Capão do Leão, obras da Barra, fixação de dunas no Cassino e São José do Norte, balizamento, dragagem e outros serviços”, conta.
Em 1971, a estrutura do Deprec mudou novamente. O Governo Federal tinha muito interesse em desenvolver as exportações e separou mais uma vez a Administração do Porto e as Obras. “E eu fiquei na administração do Porto até 1979. Foram 35 anos como funcionário, sendo 19 como administrador”, lembra.

Vantagens e desvantagens
Na visão do engenheiro Ivo Braga, a localização geográfica do Porto do Rio Grande é mesmo um diferencial em relação aos outros portos do país. Ele acredita que esse foi um fator determinante para as conquistas que ocorreram na sua época.
Segundo ele, um porto precisa ter, antes de tudo, abrigo para as embarcações, “e isso nós tínhamos”. Outra vantagem era o calado, compatível com os navios da época. “Mudavam constantemente. Antes, como hoje, a tecnologia não parava de evoluir e o Porto tinha que acompanhar tudo”, destaca.
O acesso também é algo fundamental, em todas as modalidades de transportes, todos os modais como rodoviário, ferroviário, hidroviário e aéreo. “Nós tinhamos grande potencialidade em todos esses seguimentos, mas foi preciso investir. Tínhamos que desenvolver principalmente os acessos pela Lagoa dos Patos, e rios Taquari e Jaquí”, diz.
Como o acesso rodoviário era escasso, o Porto precisava desenvolver um sistema ferroviário. “Nós não tínhamos estradas nem mesmo para Pelotas, que só foi feita na década de 1950. Para chegar até lá, precisava enfrentar um caminho de lama até o São Gonçalo. Lá, tinha que atravessar por balsas. Só para ter uma idéia, para ir a Porto Alegre o sujeito precisava dormir em Camacuã. A balsa que fazia a travessia do rio funcionava às 6h da manhã. Depois disso, ia até a Barra do Ribeiro, Tapes, e em Guaíba uma nova balsa até a capital. Quer dizer, não existia um acesso rodoviário compatível com as necessidades do Porto”, conta.
O Porto também precisava de equipamentos de carga, para poder carrear os navios com boa velocidade, no sentido de diminuir o tempo e com isso representar vantagens diante do mercado. Antes como hoje, qualquer atraso significa perda de dinheiro, um prejuízo enorme. Portanto, a mecanização do Porto era uma tendência a ser seguida. “Nós tínhamos somente alguns guindastes deixados pela companhia francesa que construiu o porto e os molhes. Naquela época era o que existia de melhor no mundo, mas a questão é que o tempo passou e os equipamentos ficaram obsoletos. Os navios ficaram mais largos, e o guindaste já não alcançava todo o porão. Portanto, precisamos substituir esses equipamentos e contratar mão-de-obra especializada”, relata.
Para Ele, uma vantagem do Porto há 30 anos atrás era a autoridade quase total dentro da sua área portuária. “Porque os problemas portuários são diversos, e precisam ser resolvidos imediatamente. Cada navio tem um problema e isso tem que ser resolvido na hora. Por isso o administrador tem que ter autoridade total, naturalmente com responsabilidade. No meu tempo, dentro do decreto nº 5, existia uma legislação que permitia isso”, diz.
O engenheiro conta que em grande parte dos portos do Brasil, a cidade avançou para cima do porto. “Imagine tudo estivesse funcionando na área do Porto Pelho. Como iríamos trabalhar com quinhentos caminhões por dia e tudo mais. Não haveria espaço. Aqui em Rio Grande isso não acontece”, argumenta.
Essa foi outra vantagem que colaborou para o progresso do Porto do Rio Grande. De acordo com Braga, poucos são os portos que possuem uma área que lhes permite uma boa retaguarda. “O porto precisa de uma área portuária vasta, precisa de um retro-porto, e isso nós tínhamos de sobra, possibilitando a instalação de diversas indústrias”, avalia.

Benefícios para o município
Em 1969, aconteceu um programa do Governo Federal, em harmonia com o Governo do Estado, para criar corredores de exportação no Brasil. Eram projetos para o desenvolvimento portuário, que continham obras de infra-estrutura. Nesses corredores de exportação, foram escolhidos três portos no Brasil, que foram os de Santos, Paranaguá e Rio Grande. “O nosso era muito importante, porque possibilitava o desenvolvimento na zona mais meridional do país”, explica Braga.
Nesse programa, foram melhorados os acessos aos portos, como as estradas. Paralelo a isso, foi concretizado o Plano Diretor do Porto de Rio Grande. Nisso constava um programa de desenvolvimento que beneficiou cidade do Rio Grande.
O Deprec comprou aquela área do retro-porto, com de mais de três mil hectares. Depois disso, Rio Grande ganhou o Trevo, passagem de nível, e estradas. A Corsan Também fez o canal para trazer água do São Gonçalo. Instalou-se a corrente elétrica interligada com todo o Estado, para abastecer a cidade e a área industrial. Também ,fez-se a ponte sobre o Saco da Mangueira.
Todos os guindastes do Porto Novo foram substituídos, ainda com esse programa. Foram adquiridos equipamentos para movimentação de cargas e excluída a viação-férrea da Estação Marítima da área central da cidade. “Era um programa grande, que gerou diversas melhorias na infra-estrutura de Rio Grande”, destaca.

As necessidades atuais
Mesmo aposentado, o engenheiro Braga ainda possui uma visão crítica sobre a situação do Porto do Rio Grande. Segundo ele, ainda existem melhorias que se devem fazer, principalmente em alguns modais. Os acessos ferroviários e rodoviários precisam acompanhar a expansão portuária. “Hoje, seria necessário duplicar a estrada de Pelotas”, ressalta.
Outra melhoria que deveria ser concretizada, na visão do engenheiro, é a construção de um túnel ligando Rio Grande a São José do Norte. “Isso é muito comum em países da Europa. Mas há vinte anos atrás, dei uma palestra sobre o assunto na Câmara de Comércio e o pessoal achou que eu era louco. Sei que o túnel somente sairá quando a BR 101 for totalmente asfaltada”, diz.
Braga também destaca o esforço da Superintendência do Porto em aumentar o calado para 40 pés e para a melhoria dos Molhes da Barra. “Agente percebe que a administração está trabalhando muito para isso”, conclui.



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