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Artigo 10/07/2007
Futebol: A Metáfora da Vida

John Stuart Mill (1806-1873), economista inglês, disse sobre a política o que serve como luva ao futebol: “Um Estado que apequena os homens para torná-los instrumentos mais dóceis em suas mãos, mesmo que para propósitos benéficos, descobrirá que com homens pequenos não se podem realizar grandes coisas”. Por Estado, refiro-me, não apenas ao poder público em geral, mas cada “nação” que se constitui em torno de um clube de futebol: colorados, corinthianos, flamenguistas, etc. Quando ouço treinadores com desculpas esfarrapadas, sempre culpando a arbitragem e nunca reconhecendo os méritos do adversário, comentando sobre mais uma derrota e campanha pífia, penso em que mundo orbitam? Assim é com outros dirigentes, que acabam tornando-se políticos ou vice-versa, e que infestam tanto a política como o futebol, com suas frases de efeito duvidoso e duvidosas operações. A ponta do iceberg? Séria investigação nas agremiações futebolísticas, diante de negociações nebulosas, grandes clubes, empresários, procuradores, etc. traria à tona verdades inauditas.
“O homem moderno do Brasil vê que não temos escolas, nem universidades, nem sequer o aparelho rudimentar de medíocre instrução primária e profissional. Tudo, entre nós, tem sido uma romântica improvisação”, escreveu Ronald de Carvalho, em Pequena História da Literatura Brasileira, publicada em 1919. Culturalmente vive-se na eterna improvisação; seja no futebol ou na política. A seleção brasileira de futebol, ao contrário da de vôlei (grata exceção, graças ao carisma e capacidade de Bernardinho), é o reflexo e a metáfora do país: mera improvisação! Nas vésperas, juntam alguns nomes, distribuem camisetas e depois vão discutir escalação, tática, planejamento; eterno improviso em clubes e Seleção. Acreditam que, durante a competição, a mística da camisa ou sua tradição vencerão jogos. Discursos patrocinados por comentaristas de resultado - mais torcedores do que outra coisa -, alimentam tal vaidade. Quando surge jogador habilidoso, mas sem espírito de seleção, de jogar pro grupo e sim pra EUquipe - eu e mais dez, um driblador a mais que joga pra si -, e a grande imprensa passa a incensá-lo com um Deus. Algumas pedaladas, e nem precisa jogar mais nada, pra delírio dos comentaristas, aguardando a grande partida que jamais se realiza. Quando não há esquema de jogo, tudo depende da inspiração ou transpiração de alguém isolado. Nilmar, quando no Inter-RS, jogava mais que quando foi pro Corinthians, mas lá a imprensa esportiva do eixo RJ-SP descobriu seu futebol, e o queria a todo custo na Seleção. Em litígio com o “Timão”, Nilmar deixou de ser prioridade pra mídia. Sem bairrismo, mas parece que estamos condenados à periferia da periferia (Brasil periferia da Europa e dos EUA; Rio Grande do Sul, periferia do eixo RJ-SP), como disse o historiador Joseph Love.
Outra curiosa análise de Ronald de Carvalho, em 1919, refere-se a Pernambuco, do séc. XVI: “Cada qual (...), se estremava em parecer mais opulento, gastando o que possuía, e, às vezes, mesmo além do que permitiam as suas rendas, acumulando dívidas mas aumentando a reputação pelo brilho e aparato das instalações e das vestimentas custosas”; e arrematava: “Em Pernambuco, diz Cardim, encontra-se mais vaidade que em Lisboa”. Vaidade à parte, qual dos pólos – o futebolístico ou o político -, é mais vaidoso, de querer parecer o que não é? Existem inúmeros casos de pessoas que ostentam padrão de vida incompatível com sua renda, ou gastam mais do que recebem, endividando-se sistematicamente pra manter status pros vizinhos, amigos e parentes. Pior é perceber ex-políticos, vindo ou voltando pro futebol como trampolim pra futura eleição. Ou desportistas usando o futebol como catapulta pra política. Promiscuidade que compromete tanto o esporte como à política.

*Escritor
http://controlverso .blogspot.com



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